MANIFESTO (pt/en)

Manifesto #12M São Paulo

Uma primavera explosiva incendeia os países árabes contra ditadores há dezenas de anos no poder. Numa invisível nuvem,  pensamentos se compartilham mundo afora. Pessoas de uma Europa em crise, que deixa milhares de desempregados e que corta salários e investimentos públicos, protestam e acampam nas ruas de várias cidades. Na China, protestos pró-democracia; nos Estados Unidos, centenas se manifestam contra a atual crise econômica; no Chile, protestos por maiores investimentos em educação. No mundo todo, apesar da repressão policial, pessoas se erguem na esperança de um futuro melhor para seus habitantes. Em comum, a vontade de mudar a lógica, que deixa cada vez mais peças sobrando na engrenagem e que aumenta cada vez mais o abismo entre Manhattan e a Etiópia.

Somos indignadxs e estamos conctadxs. Afundamos cada vez mais no abismo da desigualdade, da miséria, da gentrificação, da exploração do trabalho, da criminalização da pobreza, do aumento da militarização do Estado. Nossos políticos negam a possibilidade de melhorias para a sociedade, como educação, saúde e transporte público. Enquanto isso, rios de dinheiro são investidos em megaprojetos, como a construção de novos estádios para a Copa do Mundo e a criação da usina de Belo Monte. Além disso, a especulação imobiliária nos grandes centros leva à expulsão da população que lá vive, sem atender suas necessidades básicas e desfazendo seus laços enquanto comunidade.Toda organização popular que vá contra os interesses dos poderosos é reprimida violentamente. O Estado oprime nossa liberdade de expressão com balas de borracha, bombas de gás e prisões. Há exemplos claros e atuais disso, como a violenta “reintegração de posse” em Pinheirinho, a evacuação das ocupações de trabalhadores sem-teto no centro de São Paulo e a repressão brutal aos moradores de rua e aos dependentes químicos, tratados como caso de polícia e não de saúde pública. Ao mesmo tempo, a mídia corporativa no Brasil, nas mãos dos mesmos poderosos desde antes da ditadura, faz de tudo para naturalizar os abusos do Estado.

Indignados com isso, resolvemos agir, fugindo da lógica de dados viciados e cartas marcadas da política burocrática. Partindo dos princípios do apartidarismo, da não-violência e da decisão por consenso, estamos construindo uma política horizontal, ou seja, feita por todos e para todos. Em vez de aceitarmos líderes ou modelos prontos, procuramos construir coletivamente, considerando as opiniões e necessidades de todos os envolvidos. Em lugar da “democracia” do voto, o processo político horizontal garante às pessoas a real autonomia de decisão e construção política. Nessa nova lógica, buscamos participar diretamente das decisões, não permitindo que qualquer organização nos represente. Por isso, consideramos o apartidarismo um dos princípios de nosso movimento.Assim como não aceitamos que pessoas se sobreponham a outras por vias burocráticas ou estruturais, também não aceitamos qualquer tipo de violência entre elas, seja ela de gênero, de classe, de cor,  psicológica, física ou de grupo. Apenas respeitando as especificidades de cada um é que conseguiremos construir um processo realmente horizontal, pois este processo depende de pessoas dispostas a construí-lo coletivamente.

Nesse 12 de maio,  saiamos e tomemos as ruas, levantemos nossas barracas e ocupemos os espaços públicos para compartilhar vivências, experiências e práticas que ultrapassem a lógica do simples ir e vir na cidade. Vamos expressar nossa insatisfação para começar a construção de um processo colaborativo autônomo que enfraqueça cada vez mais as estruturas com as quais não concordamos. A revolução só se aprende na prática!
#12M – OCUPAR, COMPARTILHAR, CONSTRUIR!
Praça Charles Müller (Pacaembu)
de 12 a 15 de Maio

Traga sua barraca e desarme o sistema!

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MANIFEST MAY 12 – SÃO PAULO, BRAZIL

An exploding spring sparks off riots in the Arabic countries against dictators who had been in power for decades. In an invisible cloud thoughts are shared around the world. People from a Europe in crises, with millions unemployed and cuts in salaries and in public investments, protest and set up camp in the streets of many cities. In China, pro-democracy protests; in the United States, many protest against the current economic crisis; in Chile, protests for more investments in education. In the whole world, in spite of police repression, people rise up and stand firm in hope for a better future. In common they have the will to change the logic that throws more and more pieces out of gear and increases more and more the distance and the abysm between Manhattan and Ethiopia.
We are outraged and we are connected. We sank more and more in the abysm of inequality, of misery, of gentrification, of work explosion, of criminalization of poverty-stricken communities, of increasing State militarization. Our politicians deny the possibility of social improvements in education, health and public transportation. Meanwhile lots of money is invested in huge projects: the construction of new stadiums for the World Cup and also the building of Belo Monte hydroelectric, for example. Besides that, real estate speculation expels poor people from the big centers, ignoring their basic needs and undoing their community bonds.
Any popular organization that happens to rise up against those who hold the power is violently repressed. The state suppresses our freedom of speech with rubber bullets guns, tear gas and arrests. Clear and recent examples of that are: the violent “reintegration of possession” in Pinheirinho community, the evacuation of homeless workers that were occupying São Paulo downtown and the brutal repression of homeless chemical dependents treated as a police issue rather than a public health one. At the same time, the corporate media in Brazil, in the hands of those same powerful people long before Brazil dictatorship governments, does anything to make the abuses of the State look and sound normal and natural.
Outraged by this, we decided to act, escaping the logic of loaded dice and marked cards of bureaucratic politics. Based on the principles of non-partisanship, non-violence and consensual decision making, we are building a horizontal policy, in other words, a policy made by all and for all without hierarchical organization. Instead of accepting ready-made leaders or templates, we try to build our decisions collectively, considering the views and opinions of everyone involved. Instead of “democracy” of the vote, we practice a horizontal political process which guarantees people a real decision-making autonomy in politics construction.
With this new logic, we seek to participate directly in making decisions, not allowing any organization to represent us. Therefore, we consider the non-partisanship one of the principles of our movement.
We do not accept that some people overtop others by bureaucratic or structural routes, and we also do not accept any kind of violence among us, being it directed to gender, class status, and skin color, psychological or physical complexion or to any minority groups. Only by respecting individual differences we will be able to build a true horizontal social process because this process depends on people willing to build it collectively.
On May 12, may we take the streets, set up our tents and occupy public spaces to share our lives, our experiences and practices that go beyond the simple logic of the regular moving around the city. Let us express our dissatisfaction and start building an autonomous and collaborative social process that will gradually weaken the structures of society we disagree with.
The revolution can only be learned through practice!

12M – OCCUPY, SHARE, AND BUILD.

 

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